segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cumplicidade na continuidade da mudança

Em 2003, quando foi criada a Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial – Seppir o presidente Lula reconheceu a existência do racismo e assumiu o compromisso do desenvolvimento de políticas para combatê-lo.  Dirigiu-se diretamente a mim, recém empossada como ministra, com o seguinte conselho “ande de cabeça erguida, pois é igual aos demais ministros”. Isso não seria necessário
caso não tivesse diante de uma mulher negra.
Ouvi também conselhos de Abdias do Nascimento, que na vitalidade de seus noventa anos, me disse – “tenha muita persistência na vida pública menina, pois não se faz omelete sem quebrar os ovos”. Ressaltou também a importância das políticas de igualdade racial em governos e a urgência da sociedade passar a historia a limpo, reconhecendo os direitos sociais e políticos dos negros.
Estamos, diante de sábias reflexões, vindas de duas figuras públicas (ambos trabalhadores, um nordestino e um negro) que conhecem as dificuldades impostas ao exercício do poder a partir do preconceito, discriminação e racismo.
Lembro-me desses conselhos diante desse duro segundo turno para a campanha presidencial de 2010. A candidata Dilma Rousseff vivencia as reações preconceituosas e discriminatórias por parte dos setores conservadores – por ser mulher; por ter desde jovem abraçado a posição de firme contestação a ditadura militar; por ter sido o braço direito do presidente Lula (muitas vezes é tratada como se não tivesse vontade e formulação próprias); por defender ampliação de direitos sociais e políticos para os pobres. 
De nosso lado, a melhor resposta aos ataques é a afirmação da positividade da historia política dessa mulher comprometida com as necessidades de sobrevivência e de qualidade de vida da maioria da população brasileira. O perfil político e profissional de Dilma Rousseff deve ser motivo de orgulho para a nação.
Devemos recolocar nosso bloco na rua para garantirmos os direitos, duramente defendidos ao longo de nossa história.  Não podemos esquecer que a maioria da população vivenciou o Brasil por mais de 500 anos pelas frestas das portas e janelas da Casagrande, enquanto os sonhos e corpos eram duramente chicoteados na senzala.
Ora, as trabalhadoras e trabalhadores que sabem onde apertam os seus calos, deverão saber fazer a diferença os entre o governo FHC/PSDB e o governo Lula/PT, e, por conseqüência diferenciar também Serra/PSDB e Dilma/PT.
Grande parte da população já decidiu. Os votos em Dilma Rousseff no primeiro turno representam a aposta na continuidade de políticas conseqüentes, via os programas sociais – bolsa família; luz para todos; habitação; bolsas nas universidades particulares (PROUNI); terras para os quilombos; ensino da historia africana; escolas técnicas; ampliação das universidades públicas entre outros.
Enfim, a vitória tem que ser da persistência na atenção aos que precisam de políticas públicas, no aceleramento do crescimento do país (por meio do PAC2) e de sua relação com o mundo de igual para igual.

Se, em 2002, os conservadores tentaram impor o MEDO às mudanças, hoje não podem nos tirar o ORGULHO de sermos cúmplices de um projeto que já deu certo, mas tem que continuar avançando.
Em 2010, nesse segundo turno, o orgulho e a cumplicidade devem ser revertidos em votos para Dilma Rousseff. É a hora de elegermos uma mulher presidente do Brasil!

Matilde Ribeiro - 13/10/2010

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